O PL 960/20, aprovado na tarde desta quarta-feira, 16, pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Legislativa do DF prevê que empresas privadas que recebem incentivos fiscais ou possuem convênio com órgãos do Poder Público deverão reservar vagas de emprego, aprendizagem profissional e estágios para travestis, transexuais e transgêneros.

Félix redigiu a proposição com o objetivo de promover a inserção desse grupo no mercado de trabalho formal, uma vez que, a Antra – Associação Nacional de Travestis e Transexuais estima que 90% dessa população recorre à prostituição em algum momento da vida como forma de sobrevivência, o que aumenta os riscos de sofrerem violência e contribui para a baixa expectativa de vida de pessoas trans – cerca de 35 anos, bem abaixo da média brasileira que é de 75 anos.
Na justificativa da matéria, o deputado explicou alguns dos fatores que impedem a participação desses indivíduos na força de trabalho.
“O desrespeito ao seu nome social, linguagem corporal e verbal, a exigência de certificado de reservista para mulheres transexuais e travestis e a imposição do uso de banheiro, vestiário e uniforme em desconformidade com a autodeterminação de identidade de gênero são os principais obstáculos enfrentados por pessoas trans e travestis nos locais de trabalho.”
Em seu parecer, o relator do PL, deputado Leandro Grass, concordou com o papel a ser desempenhado pelo Poder Público e citou outros fatores que geram essa exclusão.
“Em razão da evasão escolar precoce, que ocorre em média aos 13 anos de idade, estima-se que, em 2018, no Brasil, 72% da população travesti e de mulheres transexuais não possuía ensino médio e 56% não tinha completado o ensino fundamental. Atualmente, a maioria das políticas públicas existentes direcionadas a travestis e transexuais é voltada para a prevenção de doenças e o combate à exploração sexual. Apesar da relevância dessas medidas, o país carece de políticas públicas direcionadas à inclusão dessa parcela da população na escola e no trabalho – dois ambientes dos quais a maioria dessas pessoas está excluída. Esses dados mostram que o Poder Público não pode se eximir da elaboração e da definição de políticas para responder às demandas e necessidades dessa parcela populacional.”
Fonte: Migalhas (https://www.migalhas.com.br/quentes/333493/projeto-do-df-garante-vagas-de-emprego-para-pessoas-trans)