{"id":3128,"date":"2020-11-19T18:29:40","date_gmt":"2020-11-19T18:29:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.graphn.com.br\/amaralefazla\/lojas-renner-pagara-r-100-mil-a-funcionaria-que-sofreu-racismo-e-desenvolveu-transtorno\/"},"modified":"2020-11-19T18:29:40","modified_gmt":"2020-11-19T18:29:40","slug":"lojas-renner-pagara-r-100-mil-a-funcionaria-que-sofreu-racismo-e-desenvolveu-transtorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.amaralfazla.com.br\/site\/lojas-renner-pagara-r-100-mil-a-funcionaria-que-sofreu-racismo-e-desenvolveu-transtorno\/","title":{"rendered":"Lojas Renner pagar\u00e1 R$ 100 mil a funcion\u00e1ria que sofreu racismo e desenvolveu transtorno"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A rede de lojas Renner ter\u00e1 de pagar R$ 100 mil de indeniza\u00e7\u00e3o, por danos morais, a uma funcion\u00e1ria que sofreu diversos ataques racistas que a levaram a desenvolver transtorno psiqui\u00e1trico. A decis\u00e3o \u00e9 da ju\u00edza do Trabalho Glaucia Alves Gomes, do Rio de Janeiro, que entendeu que ficou configurada a doen\u00e7a ocupacional e a omiss\u00e3o da empresa diante do ocorrido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na a\u00e7\u00e3o, a trabalhadora da loja relatou que, desde 8 de novembro de 2017, exercia a fun\u00e7\u00e3o de fiscal de loja em um shopping. Segundo ela, no dia 25 de agosto de 2018, por volta das 18h, teria sofrido ataques racistas por parte de uma colega do trabalho que exercia as mesmas atividades que a dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a trabalhadora, a empresa n\u00e3o tomou provid\u00eancias efetivas sobre o caso e, ap\u00f3s o ocorrido, ela foi diagnosticada com um transtorno misto ansioso e depressivo, precisando tomar medicamentos controlados desde ent\u00e3o. Por fim, disse ainda que a agressora &#8211; que costumava portar uma faca &#8211; n\u00e3o apenas ficou isenta de puni\u00e7\u00e3o, como foi transferida para uma loja pr\u00f3xima \u00e0 sua resid\u00eancia, o que j\u00e1 vinha pleiteando h\u00e1 algum tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma testemunha ouvida no processo confirmou toda a narrativa da funcion\u00e1ria, tendo inclusive acompanhado via r\u00e1dio as ofensas racistas. Afirmou que os xingamentos de\u00a0<em>&#8220;negra filha da puta, vou te matar, voc\u00ea est\u00e1 brincando comigo, crioula&#8221;<\/em>\u00a0come\u00e7aram &#8220;do nada&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A testemunha tamb\u00e9m confirmou que a colega, v\u00edtima da agress\u00e3o verbal, fez um registro no livro de ocorr\u00eancia da empresa sobre o fato, mas ele foi rasurado por um outro empregado, que &#8211; ao ser questionado sobre a rasura &#8211; teria respondido:\u00a0<em>&#8220;Este \u00e9 o meu plant\u00e3o, eu n\u00e3o vou prejudicar a empresa, nem me prejudicar por causa dela&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Renner, por sua vez, impugnou o laudo pericial elaborado por uma m\u00e9dica nomeada pelo ju\u00edzo, que constatou o nexo entre a doen\u00e7a diagnosticada e o ambiente de trabalho. Argumentou que, mesmo ap\u00f3s a transfer\u00eancia imediata da colaboradora com quem houve desaven\u00e7a descrita na inicial, a empregada desenvolveu a doen\u00e7a e permaneceu em tratamento meses ap\u00f3s aus\u00eancia de contato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao analisar o caso, a ju\u00edza Glaucia Gomes concluiu que n\u00e3o restam d\u00favidas de que a funcion\u00e1ria se sentiu desamparada, desprotegida e humilhada diante da conduta da empresa ap\u00f3s as agress\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Ver sua algoz premiada com uma transfer\u00eancia para um local de seu interesse, v\u00ea-la dispensada do trabalho sem qualquer puni\u00e7\u00e3o seja no dia da agress\u00e3o, seja nos dias posteriores, certamente atentaram contra sua dignidade e integridade ps\u00edquica&#8221;<\/em>, observou ela na senten\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A magistrada complementou:\u00a0<em>&#8220;Al\u00e9m disso, o seu relato, a express\u00e3o da sua dor, o seu clamor por ajuda e repara\u00e7\u00e3o foram objeto de rasura no livro de ocorr\u00eancia, como se o epis\u00f3dio pudesse ser apagado, modificado, omitido (pelo menos da vida da loja parece ter sido&#8230;)&#8221;.<\/em><\/p>\n<div class=\"ads-uol\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao decidir, a ju\u00edza observou que a empresa ignorou a orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de transfer\u00eancia da colaboradora para perto da fam\u00edlia, n\u00e3o forneceu plano de sa\u00fade, nem apoio m\u00e9dico ou psicol\u00f3gico. Assim, considerando a capacidade pagadora da empregadora e a sua omiss\u00e3o, e que o trabalho foi a causa do desencadeamento da mol\u00e9stia, causando grandes transtornos na vida da trabalhadora, a magistrada fixou indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais no valor de R$100 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero do processo foi omitido para preservar a identidade da parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Migalhas (https:\/\/migalhas.uol.com.br\/quentes\/336606\/lojas-renner-pagara-r&#8211;100-mil-a-funcionaria-que-sofreu-racismo-e-desenvolveu-transtorno)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rede de lojas Renner ter\u00e1 de pagar R$ 100 mil de indeniza\u00e7\u00e3o, por danos morais, a uma funcion\u00e1ria que sofreu diversos ataques racistas que a levaram a desenvolver transtorno psiqui\u00e1trico. 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